É com muito prazer que nós estamos passando esse blog – que nos deu alegrias!!!! –  para a galera do Sarau do Xico administrar, em especial para o Gabriel  @gabrielheadsoup, que irá continuar esse trabalho.

Esse blog surgiu de uma ideia nossa,  da Alvim  – @calvim e minha – @_kacarvalho, para depois virar um jornal de papel, um zine, algo que pudéssemos ler em qualquer lugar e passar de mão em mão.  Mas, esse tempo que durou a administração desse simples JornaLET – Jornal dos Estudantes de letras, ou Jornal de Letras, descobrimos muita coisa boa, muitos escritores bons, muita gente dedicada que fez questão de ter seus escritos publicados por nós, e nos deram um gostinho da sua leitura.

Mas a ideia não deve parar aqui, NUNCA! Estamos passando o blog pois  começamos quando calouras, sonháva-mos com tudo, com um mundo, mas fomos crescendo academicamente, assumindo esse mundo que sonhamos, e estamos quase formando! Não temos mais tempo… Então chegamos  a um acordo: passar o blog pra essa galera que não só sonha, mas tem tempo, por que se o sonho parar, a vida perde a razão.

Então, com muito prazer que anunciamos! Esse blog agora está sob a administração do Sarau do Xico : xicosagomes@gmail.com, eles irão continuar essa trajetória, revigorar, publicar, para ele continuar vivo! E quando eles não poderem mais administrar, passarão a outra pessoa  – talvez calour@, ou outro grupo, e assim acreditamos que esse sonho JornaLET, nunca irá morrer, um sonho tão bonito e coletivo!

 E que esse blog retorne, continue, expanda.

Agradecemos a todos que contribuíram, ajudaram, publicaram, fizeram a propaganda e pedimos que continuem fazendo isso, pois o JornaLET está voltando, com outro fôlego, com mais vida.

Informamos que para terem seus trabalhos publicados, continuem enviando e-mail para diretorio.jornalet@gmail.com.

Abraços,

Karina Carvalho – karina.unb@hotmail.com e Carolina Alvim – carolinalvim1039@hotmail.com, criadoras.

“Que seja doce!” (CFA)

Eu posso dizer que matei todos os meus amigos para ver que gosto tem amizade putrefada.Talvez a náusea do cheiro me cause algum efeito redentor mais revelador que nossas pseudopresenças.Eu posso dizer, que logo depois de matar meus amigos, eu matei você porque me emputeci solenemente com nossa transa mal feita sem língua e sem gozo.Me senti aliviada em saber que você foi responsabilizado pela falta de talento para amante, ou menos,que nem trepar direito sabia mesmo,para que viver nesse mundo de “meldels” se nem uma chupadinha você sabia dar?

Depois,peguei meu ônibus e fui em pé para ceder lugar a um velhinho que podia ser você se soubesse trepar, fiquei ouvindo Eu te amo do Chico com uma entonação mais dramática que de costume, como se algum dia na vida eu tivesse te dado meus olhos para você tomar conta, imagina a merda que ia sair? Ou que meu sangue tivesse se perdido junto com o navio exilado no Haiti.Se ainda tivéssemos fodido como dois pagãos,poderia relevar a tua falta de jeito para escafandrista.

Chorei a morte dos meus amigos como a fisgada de um membro amputado, vomitei a madrugada toda o vazio dessas perdas e, afirmei com a convicção de uma virgem, que te amava e que amizades são pérolas no mar infindo.

Logo depois, vi a marca branca da aliança que um dia você me deu prometendo felicidade em uma cama king size .Melhor seria se tivéssemos comprado um kama sutra ilustrado e nos matriculado numa aula de sexo tântrico para casais enquanto ainda havia tempo.Agora eu te matei e aprisionei na minha marca branca da aliança para sempre, como castigo.

Nossa, imagina que tipo de vilã pós-moderna de um romance ainda não escrito eu me tornarei ? Best-seller na certa. Meus gritos no escuro por uma tira do New York Times.Minha masturbação mental e vaginal por um elogio do Harold Bloom.Minha solidão por uma cama king size na beira da praia…

Tá vendo porque morreram?


Isabela Alves Reis- Aysha Santiago:  alves.isabela@gmail.com

Blog: http://segueorisco.blogspot.com/

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Esse conto selecionado como candidato a publicação na revista http://revistaficcoes.com.br/conto.php?cod=653 Comente e conheça a revista!

Eu sou um equilibrista.

Sempre fui. Está em meu sangue, em minha alma. Tudo começou com minha incontrolável mania de andar sobre o meio-fio aos quatro anos de idade. Algum tempo depois, fui apresentado às pernas de pau, que me permitiam sempre estar pelo menos alguns centímetros superior ao solo firme, ao mundo seguro. Pôr em cheque a capacidade de meu labirinto e desafiar minha própria intuição era minha obsessão. Com o tempo, você aprende que o verdadeiro jogo do equilibrista é contra seu próprio centro de equilíbrio: mantê-lo é fácil, o desafio real é deslocá-lo, tirar de si próprio essa zona de conforto. São a auto-sabotagem e a tortura do nosso próprio senso de firmeza que trazem à minha laia aquele sorriso genuíno, presente apenas em momentos únicos. Sabemos que não existe vitória, é claro: a queda é inevitável. O que nos resta é desafiá-la ao máximo, torcendo nossos corpos e redistribuindo o peso através de barras e pesos, e dizer “dessa vez você não me pegou”.

Alguns velhos sábios insistem que escolher e trilhar o caminho certo são o melhor que um homem pode fazer em sua vida. Qualquer um de nós, equilibristas, não pode fazer outra coisa senão rir de tamanha besteira. Gagás obsoletos, fracotes de pernas e braços trêmulos, que vêem no mundo tanta tremedeira quanto há em suas peles enrugadas, seus ossos quebradiços e seus corações moribundos! O que importa não é o caminho que se trilha, mas como o percurso é feito. Saber aproveitar o melhor que um trecho ruim tem a oferecer pode transformá-lo num atalho ou em um ponto mais emocionante do que toda a extensão do bom caminho. E a ousadia é nossa amiga! A queda, para o bom equilibrista, só torna o percurso ainda mais memorável.

Claro, de tudo isso, o que mais me intriga é a necessidade por uma corda sempre mais bamba, uma pirueta cada vez mais exótica, o peso distribuído mais caoticamente a cada nova passagem. Do meio-fio ao telhado, do telhado ao picadeiro, daí ao prédio, de lá ao precipício. Antes com redes de segurança, depois com as mãos amarradas; agora vendado. A necessidade de uma travessia cada vez mais tortuosa e instável leva a todos nós, os equilibristas, inevitavelmente a um mesmo ponto: esse maldito penhasco. O suor frio escorre da minha nuca enquanto ouço os urubus impacientes circularem dezenas de metros acima de minha cabeça. Posso perceber a sede de sangue das pedras ao fundo do abismo, meu algoz, enquanto minhas pernas tremem quase tanto quanto o queixo de um ancião no pior dia de inverno. Estou aqui, no meio da corda bamba, de olhos cegos e mãos atadas, e só agora tudo fica claro.

Eu sou um equilibrista. E a queda é inevitável.

Luis Felipe Gomes : luisgomes1988@gmail.com

(Retomando nossas publicações, com ou sem greve, e que a URP ajude!)

Bula
A Lúcia H.,
Cuja reação prevejo

Ela tinha olhos negros
Não mereciam uma metáfora
Parecia desconfiada
Da vida, do mundo, dos poetas chulos
Com seus substantivos abstratos

Ouvia música
Minha vontade era, sabe?
Entrar lá
Sentar a seu lado e dizer
Entrei neste ônibus por sua causa
Seu sorriso me mostraria que
Eu interpus um clichê e isso dificulta tudo

Ela tinha cabelo despenteado
[Também negro]
O que mostrava seu provável desdém
Por poetas chulos e verbos
No futuro do pretérito

Funcionaria melhor o modo subjuntivo?
Se eu entrasse fosse direto
Ao ponto de não retorno,
Ela risse do clichê e retomássemos,

O brilho oblíquo naquele rosto fugidio
Que merecia uma metáfora
Era um indício de tédio,
Tácita disposição contra poetas dúbios
Se fosse, ignoraria?
O tudo, o nada, o sempre, o vazio,
o mundo, a vida, o poeta.

Hugo Crema : hugo.crema@gmail.com

Blog – www.fromhellwithlasers.blogspot.com

Ele não tinha um nome, chamavam-lhe apenas de Burguês; usava várias máscaras durante o dia, máscaras daquelas invisíveis a olho nu e que apenas os mais espertos poderiam ver.

No dia-a-dia tirava suas máscaras em momentos mais convenientes, momentos que para ele eram oportunuos: na cama, no banho, na mesa, na hora de ser chato…

Com o passar do tempo, foi se esquecendo do local onde guardava suas máscaras, passou a usar tantas, que ficou difícil decorar todos os específicos lugares que as escondia.

Num dia próximo saiu de casa, como não fazia há meses e, claro, sem as máscaras que por ventura perdera; pessoas e pessoas viram seu verdadeiro rosto, rosto que assustou as pessoas, rosto o qual se parecia com o do homem que destruira muitas famílias, inclusive a daquelas pessoas e pessoas que o viam agora.

O Burguês sentiu-se um monstro sem as máscaras, um monstro com olhos de ladrão, um monstro com olhos de assassino, um monstro cuja fala não mais era mansa, e sim áspera, áspera como o barulho de granizo a perfurar telhados…

 

Rafael Fernandes – rfsmiojo8@hotmail.com
Meu blog “O Autor Do Submundo” – http://oautordosubmundo.blogspot.com/2009/02/o-burgues-mascarado.html

Por mais que tentasse apegar-me as coisas, elas terminavam por se modificar – controle do tempo.

E o quarto, sujo desde a mudança, não vê luz faz já dias. A pia limpa, intocada; os talheres, pratos e copos esperam. Não há barulho, mas chove lá fora. A falta de cheiros não leva nem me traz nada. Poucas vezes tive a chance de me tornar detestável. Não sei quando fui homem ou coisa qualquer, mas sorrio.

“Aprecio cada derrota.”

“Aprendi a amar.”

Errar em excesso me parece mais difícil. Segurar a vitória é perder; ter algum apoio.

Às vezes sonho com coisas, às vezes com pessoas. Pessoas me fazem sorrir.

Quando sonho com a natureza, sinto-me muito, muito grande. Como hoje ao sonhar com o mar: abria ele com a mão e via os sonhos se afogarem nele, no jeito inócuo da água. Perseguia uma a uma qualquer coisa que, no momento, parecia trazer-me o que faltava – mas era só a falta. Repetindo modos e métodos, percebia a cada visita tudo se modificar – são mudanças internas. Chocado, me vi grande demais. Cabia mais que o agora, o depois e os talvezes se excluíndo – pensa na sorte quem gosta de se provocar… Quem sabe onde me separo das coisas? Mãos jogadas, que são minhas e não eu, são como o resto do corpo: os olhos invejosos, a boca faminta. E, desprendendo (,) fui cada pedaço. Os dedos amarrei com os cabelos que caíam – melhor não separar o que não se pode perder. Destacando sem dor o que eu não era, fui deixando de sentir o mundo, de ser parte dele. Pouco fiz pra mudar, pensei que sorte…

Bernardo Brant – 6º Semestre de Português

blog: www.econtamestorias.blogspot.com

Pior do que não ter (ou simplesmente não saber) o que falar é já ter falado tanto, tantas vezes e com tantas intensidades que a palavra e o peito já não têm mais forças para esboçar qualquer meio sorriso. Sorriso de verdade, assim. Um meio termo entre o deixa estar e o que-tal-assim pouco sincero não contam. E de tantas meias bocas, a vida fica cheia de meios tempos, meios encontros, meios sorrisos. O meio a meio fica discreto, concreto, secreto. Sem cuidado e sacrifício, ele pode até gostar e virar cotidiano – aí implode. E dói mesmo sem doer, dói de qualquer jeito ou sem jeito.

Daí quando você finalmente fala, roubam as palavras de você. E daí elas já não são mais suas, e contigo nada mais têm a ver. Assim você as perde de novo, e não quer nunca mais falar.

Cynthia Funchal – cynthiafunchal@yahoo.com.br
Blog –
http://www.felicidadeclandestina.com.br


Recuso-me a escrever

– hipocrisia bem dita –

Rejeitarei as palavras

e seus sentidos mil

Negarei a caneta

e sua tinta vazada

Não lerei os imortais

eu quero o que é vivo

Cansei de metrificá ação

desejo o espontâneo

Fugiram de mim as alternadas

não tive ao menos as paralelas

Alexandrino não me foi o grande

nem me contento com redondilha menor

Almejo imensos pilares

mas os alicerces só me dão a base

Cansei de soluçar sonetos

Enchi-me de chorar rimas

Saturei-me ainda mais

da verdade mal dita:

A fuga do poeta

é grafite e papel.


Lary Guilardi – lalevelyn@hotmail.com

Acordei com a cabeça apoiada no seu ombro esquerdo, percebi que meus cabelos cobriam a sua clavícula. Já te disse o quanto eu gosto de clavículas? Poderia ficar a manhã toda daquele jeito, paralisada, mas eu tive que ir embora cedo. Arranquei forças pra levantar da cama, encarei o relógio que parecia me encarar também. Olhei o Sol pelas frestas da persiana com receio de que algum raio pudesse te acordar. Eu achava que todas as pessoas pareciam somente calmas enquanto dormiam, não digo que você não parecia também, mas ainda assim mantinha um ar de sarcasmo. Hoje eu percebi o quão apaixonante esse sarcasmo é por ferir a minha insensibilidade. Naquele momento eu poderia jurar que você estava de alguma forma me testando, analisando todos os meus movimentos para depois questioná-los. Você é tão onipresente em minha vida que é difícil descartar essa hipótese. Queria muito poder ficar mais um pouco só para repetirmos a mesma cena das manhãs atemporais… Seu olhar amargo a me ver tomando café sem açúcar e o meu de náusea ao te ver derrubando o açucareiro dentro da xícara. Sinto falta de nos vermos discutindo para ver quem vai ler a seção cultural do jornal antes. Sabia que eu nem faço tanta questão assim? Prefiro a parte de notícias internacionais. De qualquer forma, deixei o jornal intocado perto da porta. Você está dormindo e eu ainda não consegui me despedir. Será que se eu ficar me despedindo eternamente você acordará um dia?

Carolina Alvim – carolinalvim1039@hotmail.com

Blog –  http://carolinalvim.blogspot.com/

Ele escreve o destino dos mortos e critica a beleza das paisagens noturnas.

Não foi ele quem fez o destino, ele apenas o escreveu; sua crítica é algo passional à sua forma de viver, na verdade, vive pela crítica, em função dela. Encara o mundo com olhos de cobra, porque quem pisca perde um segundo de tempo, que é mais do que o necessário para poder enxergar o que muitos não conseguem ver. Um segundo dura muito pouco para aqueles que não sabem viver, mas dura o quanto for necessário para que muitos possam enxergar a vida passar diante de seus olhos.

A dura e fria realidade de um submundo injusto é algo a ser discutido, o Autor do Submundo precisa estar em todos os lugares ao mesmo tempo para poder varrer as ideologias tolas de pessoas com a cabeça tão vazia como um pedaço de madeira. Pessoas que neste contexto em que o mundo está atualmente não mais sabem raciocinar, não sabem questionar, nem se quer sabem ouvir direito o que muitos querem lhe explicar; parecem mais máquinas sem sentimento, robores programados para viver uma vida normal, drástica – no caso do submundo – e em função de donos, que mandarão nessas pessoas como se elas fossem propriedades suas.

Não é preciso acreditar em um ser superior para poder ser uma pessoa melhor, que ajuda a outra, que se sacrifica para poder ser compreendida, para poder passar seus sentimentos e conhecimentos; não é preciso crêr, basta querer fazer deste mundo algo mais confortável e confiante de se viver.

O Autor do Submundo às vezes não dorme de preocupado com a vida, não sabe o que é preciso ser feito para mudar a mente de quem não sabe amar, não gosta de ver pessoas maltratando o planeta, não consegue compreender o que se passa na cabeça de um sujeito que diz que Deus lhe dará o que precisa e que não vai se preocupar com nada.

Não foi ele quem fez o Submundo, ele apenas vive nesse contexto.

Rafael Fernandes – rfsmiojo8@hotmail.com
Blog “O Autor Do Submundo” – http://oautordosubmundo.blogspot.com/2008/12/o-autor-do-submundo_7917.html

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