Acordei com a cabeça apoiada no seu ombro esquerdo, percebi que meus cabelos cobriam a sua clavícula. Já te disse o quanto eu gosto de clavículas? Poderia ficar a manhã toda daquele jeito, paralisada, mas eu tive que ir embora cedo. Arranquei forças pra levantar da cama, encarei o relógio que parecia me encarar também. Olhei o Sol pelas frestas da persiana com receio de que algum raio pudesse te acordar. Eu achava que todas as pessoas pareciam somente calmas enquanto dormiam, não digo que você não parecia também, mas ainda assim mantinha um ar de sarcasmo. Hoje eu percebi o quão apaixonante esse sarcasmo é por ferir a minha insensibilidade. Naquele momento eu poderia jurar que você estava de alguma forma me testando, analisando todos os meus movimentos para depois questioná-los. Você é tão onipresente em minha vida que é difícil descartar essa hipótese. Queria muito poder ficar mais um pouco só para repetirmos a mesma cena das manhãs atemporais… Seu olhar amargo a me ver tomando café sem açúcar e o meu de náusea ao te ver derrubando o açucareiro dentro da xícara. Sinto falta de nos vermos discutindo para ver quem vai ler a seção cultural do jornal antes. Sabia que eu nem faço tanta questão assim? Prefiro a parte de notícias internacionais. De qualquer forma, deixei o jornal intocado perto da porta. Você está dormindo e eu ainda não consegui me despedir. Será que se eu ficar me despedindo eternamente você acordará um dia?

Carolina Alvim – carolinalvim1039@hotmail.com

Blog –  http://carolinalvim.blogspot.com/

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